O Camões-Centro Cultural Português em Maputo promove, no âmbito da iniciativa
"Escritor do Mês", uma sessão dedicada ao poeta
Sebastião Alba, por ocasião do 25º aniversário do seu desaparecimento físico. Esta iniciativa tem como objectivo
divulgar e debater a obra de escritores relevantes da língua portuguesa, incentivando a leitura e o diálogo literário.
Dinamizado pelo escritor Mélio Tinga, este evento contará com uma
breve apresentação da vida e obra do autor e com a leitura de poemas por Anabela Adrianopoulos, ao que se seguirá um
debate aberto ao público, onde os participantes poderão partilhar reflexões e perguntas.
Data: 21 de Novembro de 2025
Hora: 17h30
Local: Biblioteca do Camões-Centro Cultural Português em Maputo
Entrada livre
Sebastião Alba, nota biográfica
Nome literário de Dinis Albano Carneiro Gonçalves (1940-2000). Natural de Braga (Portugal) radicou-se em Moçambique muito cedo, tendo vivido em Tete e Quelimane. Foi jornalista e, sobretudo, poeta (colaborou na revista
Caliban, entre outras). Na qualidade de colaborador ocasional do governo provincial pós-independência, Sebastião Alba sempre privilegiou o contacto com os mais fracos e os menos dotados e o diálogo directo com os estudantes, ensinando que a vida deveria ser levada com toda a simplicidade, nunca optando pelas vias ínvias. A poesia de Sebastião Alba é considerada como uma das mais elevadas expressões da lírica em língua portuguesa pelo seu cariz “transgressor e interventivo” no panorama da descolonização de Moçambique.
Obras publicadas
1965 – Poesia (Quelimane, Do Autor)
1974 – O Ritmo do Pressagio (Lourenço Marques, Académica)
1981 – A Noite Dividida (Maputo; Lisboa/INLD/Edições 70)
2000 – Uma Pedra ao Lado da Evidência (Porto, Campo das Letras)
2003 – Albas (Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições)
2006 – Ventos da Minha Alma (Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições)
2020 – Todas as Noites me Despeço (Guimarães, Opera Omnia)
2023 – Todo o Alba (Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda)
“Conheci Alba. Fomos muito próximos enquanto ele viveu em Moçambique. Entrava-me por casa, pelo telefone, pelo sono. Fosse que hora fosse, o Alba lá estava, sem noção que houve coisa parecida com a privacidade dos outros. Para ele, a amizade não erguia nunca essa porta que é preciso bater. O mais importante era o poema que acabara de redigir. E ele não esperava de nós senão a inteira disponibilidade para escutar-mos os seus versos. Porque desses dependia o destino do universo. Alba não era apenas um poeta. Ele era a poesia. Sua vida não foi apenas guarida de musa. Não foi só morada de encantamento. Sebastião Alba foi possuído pela palavra. Consumido por ela.”
Mia Couto, O encantador encantado
Mélio Tinga é escritor, designer de comunicação e docente universitário. É licenciado em Educação Visual e possui uma pós-graduação em Branding. Co-fundador e director executivo da editora
Catalogus exerce igualmente o cargo de vice-presidente da
Associação Cultural da Universidade Pedagógica (ACUP).
Obras publicadas
2025 –
Névoa na Sala (romance, Catalogus, Moçambique)
2025 –
Sobre Toda Escuridão (rovela, Catalogus, Moçambique);
2025 –
Arder no Gelo (novela, A Morte do Artista, Portugal);
2024 –
A Borboleta Xica na Aldeia de Todas Espécies (conto infantil, AIDGLOBALAIDGLOBAL, Moçambique);
2023 –
Como Sombras e Cavalos a Levitar (romance, Cavalo do Mar, Moçambique);
2023 –
Atravessar a pele – Entrevistas a Escritores (OitentaNoventa, Moçambique)
;
2022 –
Objecto Obliquo, (OitentaNoventa, Moçambique);
2021 –
Marizza, (romance, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Portugal);
2020 –
A Engenharia da Morte (contos, Do Autor, Moçambique);
2018 –
O Voo dos Fantasmas (contos, Ethale, Moçambique).
Prémios e distinções
- Prémio Literário Mia Couto 2025 com
Névoa na Sala
- Prémio Literário Imprensa Nacional-Casa da Moeda / Eugénio Lisboa 2020 com
Marizza
Em 2023, foi vencedor da Residência Literária em Lisboa e distinguido com o Prémio das Indústrias Culturais e Criativas (PREICC), atribuído pelo Ministério da Cultura e Turismo. Em 2021 venceu o BLOG4DEV promovido pelo Banco Mundial, e foi finalista do Prémio Literário 10 de Novembro em 2019.
Seus livros estão publicados em Moçambique, Portugal e Brasil, e vários dos seus textos têm sido regularmente adaptados para o teatro.
Em 2024, foi nomeado uma das 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia pela revista
Bantumen e seleccionado para a bolsa “AléVini” — um programa de mobilidade cultural promovido pela Comissão do Oceano Índico (COI) com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Anabela Adrianopoulos é locutora de rádio, pivot de telejornais e apresentadora de programas de grande audiência, paralelamente a cargos de direcção que exerceu. É conhecida pela sua trajectória profissional na comunicação social, sendo um ícone da Televisão e da Rádio em Moçambique, com uma carreira de mais de 40 anos activos. Desde 1990, Anabela Adrianopoulos tem-se dedicado à formação de profissionais de rádio e tv nas áreas de locução, apresentação e produção de conteúdos. Paralelamente, Anabela usa a sua profissão para o activismo social, sobretudo nos direitos da mulher e criança, produzindo conteúdos e dando voz nos seus programas às principais pautas das ONGs, associações da sociedade civil nas lutas pela igualdade de género, contra a violência-doméstica, abuso sexual da criança, abandono escolar, direitos das minorias sexuais, HIV-SIDA.
Como actriz, Anabela Adrianopoulos integrou vários grupos culturais com destaque para o Karingana e a Associação Cultural Txova Xita Duma. Fez uma participação especial na novela portuguesa
Jóia de África e no cinema actuou recentemente no filme de João Ribeiro
Avó Dezanove e o Segredo do Soviético.
Pela sua contribuição na promoção de debates televisivos, divulgação e discussão dos temas atrás referidos, Anabela Adrianopoulos recebeu várias distinções, entre elas:
- Medalha de Mérito do Trabalho 2025
- Prémio Carreira de Excelência 2023
- Prémio PRESENÇAS 84
- Menção Honrosa pela contribuição na discussão da LEI DE TERRAS,
- Prémio MELHOR APRESENTADORA DE TV, MELHOR PROGRAMA DE TV