O Camões – Centro Cultural Português em Maputo inaugura, no dia 5 de Agosto, às 17h30, a exposição de pintura Murmúrios: Uma Pedagogia do Quotidiano, do artista plástico moçambicano Ricardo Timbe, com curadoria de Álvaro Fausto Taruma. A mostra estará patente ao público por cerca de um mês e assinala a primeira exposição individual de Timbe. Sobre a exposição Murmúrios: Uma Pedagogia do Quotidiano reúne um conjunto de pinturas em que a cor assume um papel quase sonoro: pinceladas largas e líquidas atravessam as telas em faixas de azul, verde e turquesa, e as figuras surgem sempre em diálogo com o espaço que as rodeia, nunca isoladas dele. É desse cruzamento entre som e imagem que nasce o título da mostra: como explica o curador Álvaro Fausto Taruma, a pintura de Timbe “pede ao olho que faça o trabalho do ouvido”, convidando quem a observa a reconhecer, na vibração da cor, o murmúrio constante da vida comum. Com esta série, Timbe propõe um exercício de atenção que passa de retirar da invisibilidade os gestos mais banais da vida urbana e devolver-lhes o peso e a presença através da cor. Não há, nestas telas, grande acontecimento: há permanência, repetição, o mesmo gesto que se refaz todos os dias. Daí a ideia de uma “pedagogia do quotidiano”, ou seja, uma aprendizagem que se faz através do olhar demorado sobre o que, por ser comum, tantas vezes deixamos de ver. A mostra acrescenta assim ao panorama da pintura contemporânea moçambicana uma proposta que dispensa o espectacular em favor do quotidiano, e que trata a cor não como decoração, mas como linguagem, quase uma partitura visual da vida em comum. Sobre o artista Ricardo Timbe nasceu no bairro de Maxaquene, na cidade de Maputo, em 1985, onde desde cedo revelou inclinação para o desenho e as artes visuais. Formado em Design Gráfico na Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV), desenvolve, desde 2004, um percurso consistente nas artes plásticas, participando em exposições, workshops, residências artísticas e concursos nacionais. A sua obra distingue-se por uma abordagem profundamente enraizada nas vivências urbanas, onde elementos do quotidiano são estilizados e ressignificados, criando novas metáforas visuais sobre a cidade e os seus habitantes. Nos últimos anos, o seu trabalho tem igualmente dialogado com o design contemporâneo, a animação e o storyboard, dimensões que enriquecem a sua linguagem plástica. Murmúrios: Uma Pedagogia do Quotidiano é a sua primeira exposição individual.