Maputo, 22 de Setembro de 2026 – A bailarina, coreógrafa, escritora e docente universitária Maria Helena Pinto lança, no próximo dia 7 de Outubro de 2026, às 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, quatro obras que atravessam diferentes territórios da criação artística: “A Engenharia do Coreógrafo”, “Rugidos do Silêncio”, “Flores, Sangue e Cinzas” e “Nudez e Dança”. Reconhecida como uma das figuras ligadas ao desenvolvimento da dança contemporânea moçambicana, Maria Helena Pinto reúne, neste conjunto de obras, experiências de criação, investigação e reflexão em torno da dança, do corpo, da memória, da condição humana e dos processos de construção artística. O lançamento representa também a passagem para o formato físico de quatro obras que, em parte, já iniciaram o seu percurso em formato digital. “Rugidos do Silêncio” e “Nudez e Dança” foram lançadas digitalmente em Dezembro de 2025, sob a chancela da Oficina de Textos. Quatro livros, diferentes territórios de criação Em “Rugidos do Silêncio”, obra de prosa poética, a autora percorre temas como a mulher, a violência, a liberdade, os sonhos, os afectos e a condição humana. Entre a poesia e a prosa, o livro propõe igualmente um olhar crítico sobre comportamentos individuais e sociais, com particular atenção ao contexto moçambicano. “Nudez e Dança”, ensaio de carácter literário e académico, resulta de um percurso de investigação iniciado em 2004, a partir do projecto fotográfico “Mulher-mãe”. A obra reflecte sobre as relações entre nudez, dança, corpo, cultura e criação artística, interrogando formas de representação e hegemonias culturais na maneira de olhar e pensar o corpo. Em “Flores, Sangue e Cinzas”, também em prosa poética, Maria Helena Pinto aproxima-se de territórios mais íntimos da existência, abordando a vida, a morte, a dor, o amor, a perda, a condição feminina e as experiências que transformam a vida. A dança surge neste universo como expressão do corpo, mas também como imagem de uma existência marcada por movimentos, rupturas e permanências. Já “A Engenharia do Coreógrafo” assume uma dimensão mais directamente ligada à formação e à prática artística. Trata-se de um manual dedicado ao processo de criação coreográfica, reunindo conceitos, métodos, exercícios e instrumentos destinados a acompanhar as diferentes etapas de concepção, construção e desenvolvimento de obras de dança, bem como a afirmação de identidades artísticas singulares. Literatura em diálogo com a performance O lançamento será acompanhado por um programa artístico que coloca em diálogo a palavra, o corpo, a música e o movimento, aproximando as obras da linguagem cénica que atravessa o percurso de Maria Helena Pinto. O escritor Amosse Mucavele, a poetisa Iracema de Sousa, a Mestre Maria Atália e a Professora Doutora Juliana Manhães conduzirão a leitura crítica das quatro obras, dedicando-se, respectivamente, a “Rugidos do Silêncio”, “Flores, Sangue e Cinzas”, “Nudez e Dança” e “A Engenharia do Coreógrafo”. O programa inclui ainda performances de Maria Helena Pinto, com música de Queirós Júlia, e de estudantes do curso de Licenciatura em Artes Cénicas da Universidade Pedagógica de Maputo, os músicos Amós Lamussene, Amade Cossa, Pedro Madala e Lourindo Cuna, com canto de Marília Novela e composição musical de Lénia da Silva. A supervisão das performances dos estudantes estará a cargo de Félix Mambuxo, Queirós Júlia e Abel Fumo.